Com ou sem crise, boom de IPOs do agronegócio brasileiro deve continuar

De fato, para várias das que já manifestaram planos ou estão ainda preparando para IPO, a chegada à bolsa deve apenas concluir o trabalho de aproximação com o mercado financeiro, que incluiu apresentações prévias a investidores e emissões de títulos de renda fixa, como os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).

Segundo números da Anbima, as emissões de CRA no Brasil somaram 5,7 bilhões de reais no primeiro semestre, ante 4,9 bilhões na mesma etapa de 2019, versus 2,1 bilhões na primeira metade de 2018. A expectativa de profissionais é de que esse mercado movimente 7 bilhões de reais neste segundo semestre.

Com a maior parte da lição de casa já feita, essas empresas agora têm pela frente um cenário promissor, considerando tanto o desempenho setorial no país –o PIB da agropecuária teve crescimento de 2,4% no ano até setembro, segundo o IBGE, ante queda de 5% da economia do país no período– como as expectativas para os próximos anos em nível global.

Segundo Vinicius Paiva, coordenador de fusões e aquisições na consultoria Céleres, a combinação de juro baixo com câmbio depreciado, que favoreceu as exportações brasileiras, criou condições para empresas do agronegócio crescerem e explorarem suas vantagens comparativas mundiais.

“O agronegócio sempre é o destaque da economia real, e agora os olhos da Faria Lima começam a se voltar para esse setor”, disse Paiva, referindo-se à avenida na capital paulista que em geral é conhecida por abrigar sedes de grandes bancos de investimento.

O especialista cita ainda que o ambiente mais favorável para ofertas de ações também deve ajudar a dar saída para grandes investidores institucionais que entraram no setor nos últimos anos. Ele citou o caso do Patria Investimentos, que comprou empresas na área de insumos agrícolas.

PROMISSOR, MAS ARRISCADO

Para especialistas, o crescente interesse do mercado deve multiplicar a variedade de empresas do agronegócio brasileiro em busca de IPO, incluindo proteína animal, biotecnologia, manejo e posse de terras, maquinário, entre outras.

Ao mesmo tempo, o escrutínio crescente de investidores internacionais sobre negócios diretamente ligados ao meio ambiente deve restringir os casos de IPOs de sucesso a empresas preparadas para contar histórias robustas de boas práticas ambientais.

“Nós mesmos já recusamos coordenar ofertas de papéis de algumas empresas do setor porque percebemos que elas ainda não tinham essa capacidade”, disse Freitas. “Isso iria ser ruim para elas e para nós.”

 Fonte:  Reuters

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